Ato político reuniu autoridades

Um dos momentos mais esperados do evento, o ato político contou com a presença de ministros do governo Lula e dezenas de lideranças políticas e parlamentares de variados partidos da esquerda, bem como representantes de entidades parceiras do movimento. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, disse trazer "o abraço e o apreço que o presidente Lula tem pelo MST".

Relatou algumas ações que o governo está desenvolvendo para a população, como aumento do salário mínimo e a garantia do Bolsa Família de R$ 600. Destacou ainda ações específicas para a agricultura familiar, como o relançamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) "para levar comida à mesa do povo", sob a missão de Edegar Pretto, que será o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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"As compras públicas serão realizadas por meio da agricultura familiar", afirmou. Disse ainda que o programa de reforma agrária também mudou. "A melhor forma de combater a pobreza no campo é garantir o acesso dos trabalhadores à terra e ao crédito. Eu defendo que o modelo de ocupação seja realizado por agrovilas com estrutura, internet, cooperativas", disse.

O ministro também citou a volta da educação no campo e a remodelação de crédito, em especial para as mulheres, e o potencial da transição para uma agricultura ecológica e regenerativa. "Quero saudar essa iniciativa dos bioinsumos, nós vamos promover insumos para essa produção. Queremos desenvolver os quintais produtivos, a produção de ovos orgânicos, a produção de frutas, a produção de peixes, pequenos frigoríficos para vender carne de frango."


Agricultores e agricultoras entregaram as pautas de reivindicação do MST ao ministro Paulo Teixeira e a Edegar Pretto / Foto: Marcelo Ferreira

Edegar Pretto reforçou o compromisso com aqueles que têm fome. "Quando assumirmos a Conab nos próximos dias, nenhum serviço será diminuído, faremos mais e melhor", disse, destacando que o órgão agora integra o MDA, o que mostra a vontade política de dar mais responsabilidade à companhia. Segundo ele, a política será de fortalecimento aos agricultores. "Todos que optarem por produzir comida, saibam que o governo Lula será o maior cliente daqueles que colocarem a semente na terra", avisou.

O futuro presidente da Conab também disse que os agricultores familiares, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais poderão produzir alimentos com a certeza da venda e da renda. "A merenda escolar não pode mais ser bolacha e suco artificial", finalizou.

"A colheita é sempre um momento de celebração"

Representando a direção nacional do MST, presente no evento, João Pedro Stédile assinalou que a confraternização da Festa da Colheita do Arroz Agroecológico reproduz aquilo que os camponeses sempre fazem desde o inicio da história da humanidade: "a colheita é sempre um momento de celebração". Essa comemoração, segundo ele, chama a atenção para dois aspectos.

"Estamos diante de dois modelos filosóficos e de visão de mundo: o da morte, representado pelo agronegócio e o latifúndio, e o modelo da vida, representado pela agricultura familiar e a agroecologia", disse. Conforme avalia o dirigente, a sociedade brasileira está diante desses dois caminhos, "e não é sobre o MST ou os ruralistas, mas sim sobre o futuro da humanidade".

Segundo ele, a eleição de Lula foi uma abertura das portas, mas a luta de classe não terminou, apenas recomeça em outro patamar. Por isso, defende que o governo deu um salto de qualidade. "Não basta fazer um governo pro povo. Precisamos de um governo com o povo. É isso que vamos cobrar enquanto companheiros", afirmou.

João Pedro apontou que a crise do sistema capitalista não acabou e que o atual modo de produção não serve para a humanidade. Na sua avaliação, os grandes inimigos do governo popular são os bancos e as multinacionais que controlam o Banco Central e as políticas econômicas. "Não vamos mudar isso reclamando, temos que estar mobilizados, seguir organizando os comitês populares, organizar os militantes em grupos pequenos, formar o fermento na massa para o povo lutar por outro projeto de nação", finalizou.


MST inaugurou a Unidade de Produção de Bioinsumos Ana Primavesi / Foto: Pedro Stropasolas

Inauguração da biofábrica Ana Primavesi

Ainda neste dia de festa, o MST inaugurou a Unidade de Produção de Bioinsumos Ana Primavesi. A iniciativa é a primeira biofábrica do Grupo Gestor do Arroz para produção de fertilizantes biológicos e, segundo explica o movimento, possibilita planejamento de produção durante o ano todo, aumentando a produtividade e garantindo autonomia aos produtores e produtoras do MST.

Na safra 2022/2023 do arroz orgânico, o uso desse bioinsumo foi implementado em duas áreas de pesquisa, em 28 hectares. Já para a próxima safra, 2023/2024, os bioinsumos estarão em toda a produção do arroz orgânico dos assentamentos em Viamão, totalizando cerca de 1126 hectares.

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